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segunda-feira, 4 de julho de 2016

Títulos na Copa do Mundo animam, mas Wu e Flavinha não são favoritos



Atirador e ginasta conseguiram grandes resultados no fim de semana, mas é bom alertar que ainda não podem ser considerados "medalhas certas" na Olimpíada do Rio


Por São Paulo

O fim de semana foi muito positivo para dois atletas do esporte olímpico nacional. A ginasta Flávia Saraiva e o atirador Felipe Wu conquistaram o ouro em etapas da Copa do Mundo em suas modalidades. Ela levou os títulos na trave e no solo em Anadia (Portugal), enquanto ele foi o campeão em Baku (Azerbaijão). Os resultados alcançados fazem os dois subirem de patamar rumo aos Jogos do Rio de Janeiro, mas ainda não devem ser considerados favoritos ao pódio olímpico. 
A pressão por medalhas dos brasileiros na Olimpíada será enorme, e a dupla terá que sentir isso logo nos primeiros dias de competições. No dia 6 de agosto, um após a Cerimônia de Abertura, Felipe Wu disputará a eliminatória e, possivelmente, a final da pistola de 10m, podendo ser o primeiro medalhista do país no Rio de Janeiro. Um dia depois, Flavinha fará as apresentações nas eliminatórias, em busca das finais por equipes, individual geral e na trave, a última, sua principal chance de pódio. 
A vitória de Flávia que mais empolgou no fim de semana foi na trave. A nota alcançada, 15,125, a coloca entre as melhores do mundo na prova. No torneio português, nenhuma de suas rivais nesta categoria nos Jogos do Rio de Janeiro esteve presente, então a referência tem que ser as competições realizadas nos últimos meses. No Campeonato Mundial do ano passado, marcado por muitas quedas das atletas, essa pontuação lhe renderia a prata. Por outro lado, a nota dela é "apenas" a sexta maior da temporada, atrás de atletas dos Estados Unidos e Rússia. 
É a segunda medalha de ouro de Wu em etapas da Copa do Mundo (Foto: Divulgação/ISSF)Wu foi campeão em cima de coreano campeão olímpico (Foto: Divulgação/ISSF)
Felipe Wu conseguiu uma medalha de ouro mais imponente. Na Copa do Mundo de Baku, no Azerbaijão, estavam todos os melhores atletas do mundo, como o campeão olímpico Jing Jong-oh, da Coreia do Sul, e o líder do ranking mundial Oleh Omelchuck, da Ucrânia. Foi o segundo título do brasileiro no ano, já que ele conseguiu o ouro na Copa do Mundo da Tailândia, em março. Mas, apesar dos brilhantes resultados, Wu ainda peca um pouco na regularidade. No período entre os títulos, ficou longe de se classificar para a final das etapas da Alemanha e do Chipre da Copa do Mundo e não conseguiu ficar nem entre os 20 melhores no evento-teste. 
No tiro esportivo, a regularidade e a experiência falam muito alto. Felipe é um dos mais jovens competidores da pistola de 10m, tem 24 anos, e vai para sua primeira Olimpíada. A média de idade de seus rivais é de praticamente 35 anos, e seus principais adversários já estiveram em edições anteriores da Olimpíada. 
A evolução destas jovens promessas do esporte nacional é evidente. Na verdade, podem ser chamados de realidade, já que vão brigar pela medalha nos Jogos do Rio. Mas é bom ir com calma. Nem sempre os títulos às vésperas da Olimpíada levam atletas ao pódio.
Jamais podemos considerar alguma medalha como certa na Olimpíada. Mas sabemos que o Brasil entra com absoluto favoritismo em algumas modalidades, como vôlei, vôlei de praia e judô. Esse não é, nem de perto, os casos de Wu e Flavinha. Eles terão que suar já nas eliminatórias, visto que nem mesmo a classificação entre os oito primeiros colocados será tranquila.
Não pode recair sobre os ombros destes dois jovens a responsabilidade de iniciar com êxito uma campanha olímpica do país que busca bater recorde de medalhas e alcançar o top 10 do quadro geral. Eles são candidatos, mas não favoritos ao pódio. 
*O artigo em questão não traduz, necessariamente, a opinião do GloboEsporte.com; é de responsabilidade de seu autor
Postado por thom Erik Syrdahl

Fonte - http://globoesporte.globo.com/opiniao

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